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"A fantasia não é exatamente uma fuga da realidade. É um modo de a entender."
"Fantasy's hardly an escape from reality. It's a way of understanding it" (Lloyd Alexander)

terça-feira, 1 de maio de 2012

A minha avó... aqui no Reino é a Rainha Ri-te Ri-te

Sei que quem vê uma foto de quem nunca viu... é-lhe um pouco indiferente... Mas aqui, garanto-vos, está uma grande MULHER!
Vejam o seu personagem aqui no Reino (um dia destes explico-vos melhor este personagem...):
«A minha vózinha»
«A minha avó foi uma grande mulher, pelo menos na minha vida. Foi ela que me deu o amor e a paz de espírito que eu não conseguia encontrar em mais ninguém. Ela fazia coisas especialmente para mim e se fosse preciso até ia comprar os ingredientes!
Eu adorava passar o fim-de-semana com ela, havia sempre bolo de bolacha, pudim Flan, leite creme ou mousse. Havia aquela atenção especial que mais tarde descobri que era amor.
A casa estava sempre muito arrumada, tudo tinha o seu lugar próprio. Era muito silenciosa embora se ouvissem os cães a ladrar lá fora e, de vez em quando a bomba de água do prédio, mas tudo isso fazia parte do silêncio. Penso que era lá que a minha alma descansava e que eu me restabelecia e organizava as minhas pequenas ideias.
À noite costumava contar-me histórias em que os personagens eram o João Pestana ou o Zequinha, normalmente eram meninos mal comportados mas que no fim aprendiam sempre a lição. Foi o que se passou comigo, sempre fui uma “Maria Rapaz”, não sei se cheguei a aprender a lição que me queriam ensinar, mas aprendi a minha lição.
Ela era uma avó como as das histórias, apesar de não ter os cabelos enrolados no alto da cabeça. Tenho a certeza que ela teria dado a vida por mim se eu fosse o Capuchinho Vermelho, numa história ligeiramente diferente.
Sempre que vinha à minha casa, era uma alegria... o meu coração pulava muito, tinha vontade de a apertar, o meu sorriso atingia os limites do rosto e a vontade que eu tinha de lhe saltar para o colo era enorme. Lembro-me de a ouvir dizer que eu pelo cheiro, descobria que ela estava a chegar. Até o cão que viveu connosco 18 anos amava a minha avó. Ele chegava a ir visitá-la só para receber atenção e uma bolacha. Eram cerca de 30 minutos sempre a subir, mas ele e eu sabíamos que valia a viagem.
Quando notou que estava a perder a memória recente, e por não querer perder nada daquilo que a vida lhe oferecia, foi ao médico pedir ajuda: «Sr. Dr. receite-me aí uns medicamentos para a memória, antes que eu me esqueça...».
(...)
Foi muito importante para mim que ela tivesse estado presente nos momentos mais marcantes da minha vida. Acredito até que ela esteve lá, no dia do meu casamento. Queria tanto viver para conhececr os bisnetos... chegou até a fazer umas botinhas de lã para o primeiro que nascer.
Foi ela quem me disse mais vezes que gostava de mim, sem hora marcada.
(...)
Conforta-me de alguma maneira, saber que um dia os meus filhos também vão ter uma avó chamada Clara (a sua filha). Que melhor prenda poderei eu dar à minha avó neste momento, passados dois anos do seu falecimento, senão essa garantia?
A minha avó será sempre a Árvore da minha Genealogia. Obrigado vózinha por tudo o que foste e representaste na minha vida, e por teres acreditado em mim.»

Escrito por mim a 3 de Maio de 2003.
A minha avó faleceu em Fevereiro de 2001 e continuo a sentir a sua falta.

1 comentário:

Ana Fundo disse...

Lindo amiga...e sabes, o que escreveste, podia ser a minha filha a escrever, em relação à minha sogra :), que infelizmente também nos deixou cedo demais...
Beijinhos

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